Archive for the ‘Os Orixás da Umbanda’ Category

Nanã Buruque

 

 

Saravá pai Xangô

dia 24 de junho dia de São João que muitos sincretizam com nosso pai Xangô

Xango Xango2xango

Omulu

omulu

OMULU

 

Omolu é o Orixá Cósmico assentado no pólo negativo (absorvedor) da Linha da Geração, que é a sétima Linha de Umbanda, onde polariza com o Orixá Universal Yemanjá.

Enquanto Yemanjá é a Regente Divina da Geração, Pai Omolu é o Regente do equilíbrio na Criação Divina.

Yemanjá é a Mãe da Vida; é maternal, mas autoritária. E Omolu é o Guardião da Vida; é rigoroso, mas compreensivo, ainda que não o demonstre.

Yemanjá é a Irradiação Divina que rege sobre a Vida e a Geração dos seres, das criaturas e das espécies. É a Grande Mãe, é o aspecto Mãe do Criador, é a Mãe de todas as Águas, simbolizada pelos mares e oceanos. Quem se coloca de forma reta sob a Sua Irradiação começa a vibrar o amor maternal, que aflora e se manifesta com intensidade.

As Irradiações de Mãe Yemanjá atuam de forma contínua sobre toda a Criação, estimulando a criatividade e o amparo à vida. Seu magnetismo é irradiante e Suas ondas são retas.

Em contrapartida, o Orixá Omolu paralisa tudo aquilo que atenta contra os Sentidos da Vida. É a Presença de DEUS garantindo a Vida e a Geração. É a profundidade da terra. As Irradiações do Sagrado Pai Omolu garantem o equilíbrio da Criação, pois atraem para o Seu campo Cósmico todos os seres que se desequilibraram e passaram a atuar de forma desvirtuada, atentando contra qualquer dos Sentidos da Vida. O magnetismo de Omolu é absorvente e Suas ondas são alternadas.

Omolu é também o Orixá que rege a morte física, ou seja, o instante seguinte à passagem do plano material para o plano espiritual (desencarne).

Mas Omolu não traz a morte, como alguns parecem imaginar. Na verdade, Ele representa “a morte” daquilo que atenta contra o Sentido da Vida e da Geração; o que é bem diferente. E Omolu também não traz a doença. Ele traz, sim, “a morte” da doença, do desequilíbrio e do vício, para viabilizar a restauração da saúde geral dos seres desvirtuados e desequilibrados (saúde espiritual, moral, mental, emocional e física).

Omolu representa “a morte” no sentido de trazer o fim a um estado de doença ou de desequilíbrio; e sempre para a preservação da Vida, no sentido mais elevado da palavra. Ele é um Orixá da Cura, portanto.

Quem age de má-fé para com o semelhante está “matando” a Fé no outro. Quem engana, trai ou age de forma negativa no campo do Amor está “matando” o Amor no outro. Quem usa do Conhecimento ou do dom da palavra para propagar mensagem mentirosa está divulgando a ignorância e “matando” o dom do Conhecimento. Quem é deliberadamente injusto para com o semelhante está “matando” o Sentido da Justiça. Quem de forma deliberada viola o direito do outro está “matando” o Sentido da Lei. Quem impede que o outro evolua está “matando” o Sentido da Evolução. Quem de alguma forma atenta contra a vida do semelhante está “matando” o Sentido da Geração. Tudo isso é atraído para o campo de Pai Omolu, que irá acionar o Seu Fator Paralisador sobre aquele ser desvirtuado, ativando uma de Suas Linhas de Esquerda, que será deslocada para “cobrar a dívida”. Não é raro que pessoas alcançadas por esta atuação acreditem “que “têm algum trabalho feito”, alguma “demanda” etc., esquecidas de que estão, isto sim, é respondendo perante a Lei e a Justiça Divinas pelos seus próprios atos.

O ser que daquela forma se desvirtuou é paralisado nas suas ações negativas, tanto para a preservação da própria vida e evolução quanto para o equilíbrio da Criação como um todo. Este é o Divino Mistério de Pai Omolu, O Sagrado Guardião da Vida.

O Mistério Omolu transcende a tudo, vai além do que possamos imaginar. Mas algumas lendas o limitaram a alguns de seus aspectos vistos como punitivos, tornando-o temido por muitos.

Se Omolu rege sobre o cemitério e sobre os espíritos dos mortos, é porque esses espíritos atentaram contra a vida ou algum dos seus Sentidos. Logo, só deve temê-LO quem proceder de forma desvirtuada.

 “A cada um, segundo o seu merecimento”, diz a Lei Maior. E o Mistério Omolu aplica este princípio em seu aspecto negativo ou absorvedor. Ou seja, aplica-o quando o espírito atuou de forma desvirtuada e atraiu para si a força corretiva da Lei Maior, para então paralisar e esgotar seus vícios e desequilíbrios.

Podemos dizer: “A cada um, segundo seus atos”. Sendo positivos, que seus autores sejam conduzidos à Luz da Vida. Mas se foram negativos, que sejam levados para os sombrios domínios “da morte dos sentidos e dos sentimentos desvirtuadores da vida”.

Omolu encaminha para a faixa vibratória correspondente aquele espírito que muitas vezes atentou contra a Vida e a Geração, para “secar” os sentimentos e sentidos desvirtuados que deram origem às suas atuações degeneradas. Esgotadas todas as negatividades daquele ser, então ele estará pronto a recomeçar sua caminhada evolutiva.

Omolu é o Guardião Divino dos espíritos caídos. E é preciso muito AMOR para recolher os caídos. É preciso muito AMOR para “não desistir” dos caídos. É preciso muito AMOR para resgatar, abraçar, velar e regenerar um ser que deliberadamente se envolveu na podridão da maldade. E esta é a natureza do AMOR do Divino Pai Omolu por nós. Ele é o “último abrigo” dos caídos, a esperança da regeneração e do recomeço. Como temer esta Divindade? Não!

Não devemos temer Pai Omolu, mas sim reverenciá-LO como o Grande Velador da Vida, que atua no silêncio das eras para preservar a Vida e a Geração, garantindo o equilíbrio de toda a Criação. Ao envolver nas Suas Irradiações os seres negativados, Pai Omolu também está protegendo a existência daqueles que caminham na via reta, não podemos nos esquecer disso. Ele é quem garante “a eficácia”, digamos assim, das Divinas Irradiações de Mãe Yemanjá, como o Seu Par Divino complementar.

Nas primeiras sociedades tribais, o ser humano temia tudo aquilo que não compreendia: o ambiente inóspito, as bruscas mudanças climáticas, a aridez da terra, o sol ou a chuva excessivos, a escassez de alimentos, as doenças que não conhecia e a própria morte. Via, nessas dificuldades, “a presença de deuses terríveis que vinham castigá-lo”. Sentia-se, talvez, ”separado” do Divino, submetido e subjugado por forças que não compreendia. Mais tarde, quem sabe, atribuir caracteres humanos punitivos e até vingativos aos seus deuses foi um meio de preservar na memória das gerações futuras o culto a algo bem maior do que a existência terrena, já que tudo era transmitido de boca a ouvido.

Seja como for, o tempo passou. Hoje temos recursos para compreender muitos desses fenômenos e contorná-los. A nossa vida não é mais uma luta por sobrevivência. Estamos despertando para a compreensão de um novo existir. Doença e morte não podem mais ser vistos como “inimigos” ou “castigos”, pois são apenas estágios, são passagens, são caminhos para outras condições, situações e realidades. A continuidade da vida além da morte física já foi comprovada por várias maneiras. Ciência e Religião começam a andar de mãos dadas, cada uma no seu campo específico, na busca de explicações para muitas coisas que antes pareciam “sobrenaturais”. A Ciência já comprovou que tudo é energia; o que chamamos de matéria são apenas formas de arranjos das energias. Vida e morte são duas faces de uma mesma moeda, são arranjos, são transformações da Energia Criadora. Alguma coisa “morre” para se tornar em algo maior, mais complexo, mais aperfeiçoado, mais sutil. A “morte” é apenas o despir-se de um invólucro grosseiro, para se obter vestimenta mais elevada. O espírito que reencarna “morre” no plano astral; e o que desencarna “morre” no plano das formas para voltar ao plano espiritual.

A Vida prossegue, sempre. E todo esse processo Divino é regido pelas Divindades de Deus, que na Umbanda Sagrada chamamos de Orixás. Todos os estágios da nossa existência são regidos pelos Sagrados Orixás. Precisamos nos dedicar a compreender as atuações dessas Divindades, num exercício de fé raciocinada, para despertarmos a nossa Essência Divina e nos colocarmos como parte viva e inseparável desse Todo que é Deus e a Criação. Tudo é Deus, tudo é regido por Deus, por meio dos Sagrados Orixás. Não temos razão para temê-LOS, mas sim para reverenciá-LOS e amá-LOS, como nossos Pais e Mães Divinos.

O Orixá Omolu não pode ser temido pelos umbandistas, pois a Umbanda Sagrada nos revela que Ele é o nosso Pai da Vida, que tudo faz para nos preservar dentro das Leis Divinas que regem o Sentido da Vida e da Geração.

Como bem explica Rubens Saraceni, no processo Divino da Vida, Mãe Oxum agrega ou funde o espermatozóide com o óvulo; Mãe Yemanjá é o processo genético que inicia a multiplicação celular; Pai Ogum ordena essa multiplicação celular, que é comandada por Pai Oxóssi, direcionada por Mãe Yansã, equilibrada por Pai Xangô, estabilizada por Pai Obaluayê e cristalizada (num novo ser) por Pai Oxalá.

Neste processo, o Fator Paralisante ou Paralisador gerado por Pai Omolu é fundamental para o equilíbrio da Vida, porque Ele é o Mistério Divino que vai atuar onde houver uma geração ou criação desvirtuada ou desvirtuadora. Ele paralisa e esgota a energia caótica ou a criação degenerada ou viciada.

DEUS Cria e Gera, mas também paralisa a criação que não mais atenda aos SEUS desígnios e paralisa a geração que não atenda à SUA Vontade. Esta Qualidade Divina, representada por Pai Omolu, é um recurso para paralisar tudo e todos que estiverem criando ou gerando em sentido contrário (desvirtuado) ao que Deus estabeleceu como correto (virtuoso). E Omolu guarda para OLORUM (DEUS) todos os espíritos que fraquejaram na sua jornada carnal por se entregarem aos seus vícios emocionais.

Mas Omolu não pune ou castiga ninguém, pois estas ações competem à Lei Divina.  

Os Tronos da Geração (Feminino: Yemanjá; Masculino: Omolu) regem sobre este aspecto da Gênese (toda a Vida, toda a Geração), e não apenas sobre o sexo.

Sabemos que:

Minerais afins fundem-se e dão origem aos minérios;

Elementos afins fundem-se e dão origem a novos elementais;

Energias afins fundem-se e dão origem a novas energias;

Cores afins fundem-se e dão origem a novas cores;

Seres afins (machos e fêmeas da mesma espécie) fundem-se e dão origem a novos seres.

Em todos esses processos, Mãe Yemanjá é a “Mãe da Vida”; e Pai Omolu é o Guardião Divino que paralisa tudo o que atenta contra a Vida, que paralisa todas as criações ou gerações desvirtuadas dos seres, dando estabilidade à Criação. (Do livro “Gênese Divina de Umbanda Sagrada”, páginas 233/236 e 270/272, Rubens Saraceni, Madras Editora, 2005.)

Na Umbanda, Pai Omolu é associado ao planeta Plutão e aos números 12 e 13.

Na Astrologia, Plutão é um astro que provoca atração, mas também repulsa, além de mudanças, alterações, a destruição e a reconstrução de novos ciclos na vida humana.

Na Mitologia, ele representa o inferno, o invisível e o misterioso.

No mapa astral de uma pessoa, a localização de Plutão mostra onde sua alma terá a possibilidade de “morrer para o que é inferior”, para renascer transformada e melhorada. O ser passará por essa “morte” ao descer ao próprio íntimo, para enfrentar seus medos, enxergar seus fantasmas e curar suas feridas internas, fazendo uma opção consciente por tornar-se um profundo investigador de si mesmo e de qualquer situação que possa vivenciar, de modo que possa ir além do que as aparências indicam. É uma espécie de mergulho no inconsciente, que permitirá o despertar da alma. Caso contrário, a pessoa terá de viver com seu lado sombrio, negativo, tempestuoso, destruidor e, às vezes, até vingativo.

Logo, a associação de Pai Omolu ao planeta Plutão evidencia a natureza paralisadora desta Divindade, no tocante ao que é negativo para a vida e a evolução dos seres.

Quanto ao número 12, também associado ao Orixá Omolu, é um número que, em síntese, simboliza um ciclo completo, a ordem cósmica. E isso também está implícito na atuação deste Orixá, que traz “a morte” dos atos que atentam contra a Vida e a Geração, para garantir o equilíbrio da Criação.

O doze é o produto da multiplicação do número três pelo número quatro.

O número três representa o Espírito (essência Divina), a Trindade (Pai/Mãe/Filho; espírito/mente/corpo).

O número quatro representa a matéria, a estruturação material, o plano material.

Então, o número doze simboliza a manifestação do espiritual (3) no plano material (4).  É DEUS que SE manifesta na matéria.

E o número treze, igualmente relacionado ao Pai Omolu, simboliza os processos de transformação (“a morte” do que não serve mais, para um recomeço evolutivo).

 

História

 

1-Origens de Omolu.

 

Na antiga África, havia regiões onde os nomes Omolu e Obaluaiê eram considerados duas qualidades de uma mesma divindade. Era comum chamá-los de Omolu-Obaluaiê e de Obaluaiê-Omolu.

Em algumas tradições, tais nomes designavam duas qualidades da divindade Omolu: Obaluaiê era a designação do Omolu Jovem, mais agressivo; e Omolu era o nome reservado para o Omolu Velho, mais introspectivo e severo.

Em outras, a divindade era Obaluaiê: sua qualidade Jovem era o Obaluaiê, propriamente; e o Obaluaiê Velho era chamado de Omolu.

Havia ainda povos do continente africano que cultuavam Omolu e Obaluaiê como divindades distintas.

Essas diferentes interpretações ainda hoje podem ser encontradas no Candomblé do Brasil, por influência das respectivas matrizes africanas.

Outro nome que na África era associado tanto a Omolu quanto a Obaluaiê é Xapanã (Sànpònná), geralmente reservado como designativo do deus da varíola. Acreditava-se que ele punia os malfeitores com a terrível doença, que na época causou muitas mortes. Por isso, o nome Xapanã era temido e não poderia ser pronunciado; se alguém o fizesse, teria de lavar a boca com mel. Mas existem lendas contando que noutras regiões Xapanã era reverenciado como Curador, e não como um deus temido.

Há uma grande variedade de tipos de Omolu (guerreiros e não guerreiros; de idades diferentes; com ligações ou caminhos com outras divindades etc.), mas resumidos pelas configurações básicas do Velho e do Moço.

São muitos os nomes relacionados a esta divindade, às vezes dentro de uma mesma região. Entre eles, temos: Skapatá, Omolu Jagun, Quicongo, Sapatoi, Iximbó, Igui. Isso indica a existência de mitos semelhantes em diferentes grupos tribais da mesma região. O continente africano era imenso, e habitado por povos de culturas muito diferentes entre si, justificando-se essa variedade de interpretações.

Pierre Verger pesquisou as religiões da antiga África e lá viveu por muito tempo; assim como estudou e vivenciou o Candomblé brasileiro.  Por isso, seus registros e informações são importantes, dentro do tema.

No seu livro “Orixás”, Verger fala da confusão que existe a respeito de Xapanã, Obalúayé, Omolu e Molu, pois em alguns lugares eles se misturam; enquanto em outros são considerados deuses distintos. E que Nanã Buruku é também confundida com eles. 

Verger mostra que em algumas regiões há um sincretismo entre duas divindades: Sànpònná- Obalúayé, que veio do leste (onde Nanã é Nàná-Buruku) e Omolu-Molu (vindo do oeste, onde Nanã é Nàná-Brukung). As duas divindades se juntaram e tomaram o caráter único de Keto. Outra hipótese: seria uma divindade única, trazida por migrações leste-oeste (como as dos Ga, que foram de Benim para região de Accra, durante o reino de Udagbede, no fim do século XII), e que depois foi levada para seu lugar de origem com um novo nome que, inicialmente, era apenas um epíteto.

Em Tapá, a divindade Xapanã (Sànpònná) seria o correspondente a Omolu. Mas este nome também aparece associado à divindade Obaluaiê.

Os povos Jêjes, de língua Fon, tinham como divindades os Voduns. A divindade Jêje correspondente a Omolu-Obaluaiê era Sapatá-Ainon, que significa “Dono da Terra”.

O culto Jêje a Sapatá se difundiu na região Mahi, na aldeia chamada Pingini Vedji, perto de Dassa Zumê, porém trazido pelos Nagôs. Em Savalu (região ao norte do Daomé, também na região Mahi), confirma-se a versão de que os Nagôs assimilaram e difundiram esse culto. Conta-se que, liderados por Ahosu Soha, os Jêjes fugiam das regiões destruídas pelas campanhas dos reis de Abomey contra seus vizinhos do leste, vindo a estabelecer-se naquela localidade. Durante seu percurso, Ahosu Soha encontrou em Damê, no rio Weme, os Kadjanu, Nagôs originários da região do Egbadô. Estes Nagôs se dirigiam também para o norte e se juntaram a Ahosu Soha, para se estabelecerem em Savalu, com seu deus Agbosu.

Essa origem Nagô-Iorubá é também revelada por dois fatos: durante sua iniciação, as pessoas dedicadas a Sapatá (os sapatasi) são chamadas de ànàgonu (anago ou nagô); e a língua usada no ritual de iniciação e nas orações é o iorubá primitivo, ainda falado diariamente pelos Aná.

Enquanto os Jêjes cultuavam o Vodun Sapatá, os povos Nagôs (de língua iorubá) tinham divindades semelhantes, denominadas Orixás, e as chamavam de Obaluaiê e

Omolu, indistintamente.

Verger comenta haver relatos sobre a existência de dois Xapanã. Um era Sànpònná-Airo, de origem Tapá. O outro teria vindo do Daomé para Oyó e era chamado Sànpònná-Boku, nome que o aproxima de Nanã Buruku e que também revelaria os laços existentes entre Obaluaiê e Nanã.

Sombrio e grave como Nanã (sua mãe) e como Iroko e Oxumaré (seus irmãos), Omolu é, portanto, uma divindade da cultura Jêje, depois assimilada pelos Nagôs.

A comprovação de que as divindades Jêjes são mais antigas que as dos Nagôs-Iorubás foi estudada por Pierre Verger, como já foi visto, com base nas guerras e movimentos migratórios dos povos africanos, quando os conquistadores muitas vezes encontravam entre os povos dominados divindades mais antigas e para eles desconhecidas, e vice-versa; e acontecia de uns assimilarem as divindades dos outros. Mas um fator decisivo apontado por Verger, também com base em registros históricos, é o fato da não utilização de instrumentos de ferro nos rituais de sacrifício animal para Omolu, Obaluaiê e Nanã; indício de que eram divindades cultuadas antes da Idade do Ferro e, portanto, também anteriores a Ogum (considerado o dono do ferro e de todos os metais).

Um aspecto interessante a ser analisado diz respeito às diferenças de arquétipo entre os mitos dos vários povos africanos.

As divindades dos Nagôs (os Orixás) são extrovertidas, alegres e têm características de comportamento (ciúmes, temperamento guerreiro, docilidade, irritação etc.) que as identificam e aproximam dos seres humanos.

As divindades Jêjes (os Voduns) apresentam um comportamento mitológico austero, grave e ameaçador, decorrente de uma visão religiosa na qual há um maior distanciamento entre deuses e humanos. Qualquer aproximação dos deuses era motivo para se temer uma tragédia; e daí vinha o conceito de que a divindade trazia a morte, a doença etc.

No encontro dessas duas culturas, os Nagôs-Iorubás passaram a ver as divindades mais sombrias dos Jêjes como fonte de perigo e temor. No caso específico de Omolu, ele seria o registro da passagem de castigos sociais, ficando relacionado a epidemias (como a varíola, que na época dizimava comunidades inteiras). Acreditava-se que Omolu castigava com violência o ser humano que faltasse com ele ou com um filho seu. Dentro dessa visão, uma negociação ou um aplacar da atuação de Omolu era difícil de obter; sendo mais provável de ser alcançada em relação aos Orixás dos Nagôs-Iorubás (menos severos e mais “humanos”).

Na tradição africana, Omolu é filho de Nanã e Oxalá.

É irmão carnal de Iroko e Oxumaré e irmão adotivo de Ogum e Exu.

Seu parentesco com Oxumaré e Iroko é observado em Ketu, onde se pode ver uma lança (okó Omolu) cravada na terra e esculpida em madeira, na qual figuram Omolu, Oxumaré e Iroko. Também é observado em Fita, próximo de Pahougnan, território Mahi, onde o rei Oba Sereju recebeu o fetiche Moru, composto de três fetiches: Moru (Omolu), Dan (Oxumaré) e Loko (Iroko).

Segundo as lendas, Omolu é, ainda, o irmão mais velho de Xangô Ajaká.

E porque Xangô destronou um Omolu velho e assumiu seu lugar, existiria uma rivalidade entre os dois Orixás. Por este motivo, filhos de Omolu não participam da roda de Xangô; no Olubajé, a grande cerimônia em honra de Obaluaiê-Omolu, não entra amalá (comida tradicional de Xangô); e na comida de Xangô não entram as pipocas (comida ritual de Omolu e de Obaluaiê).

 

2-Características de Omolu na África antiga e nas religiões derivadas.

 

Na África, Omolu está relacionado ao interior da terra (ninù ilé) e também ao fogo, já que este elemento domina as camadas mais profundas do planeta, como comprovam os vulcões em erupção.

Sua ligação é com a terra seca e quente como o calor do fogo e do sol; calor que lembra a febre das doenças infecto-contagiosas. Omulu representa a terra e o sol. Ele é o próprio sol e por isso usa uma coroa de palha que lhe cobre a face, porque ninguém pode olhar diretamente para o sol.

Toda a reflexão em torno de Omolu costuma ocorrer colocando-o como um Orixá ligado à terra, o que é correto. Mas, na visão africana, não se desconsidera a sua relação com o fogo do interior da terra, com as lavas vulcânicas, com os gases etc. Afinal, o que pode ser mais devastador que o fogo? Só as epidemias, as febres e as convulsões lançadas por Omolu. A sua matéria de origem é a terra e, como tal, Omolu é o resultado de um processo anterior.

Seu poder está extraordinariamente ligado à morte. Ele detém o poder sobre os espíritos e os ancestrais, que o seguem. Sob o seu manto de palha, Omolu esconde o mistério da morte e do renascimento. Ele é a própria terra que recebe os nossos corpos para que se tornem pó. É o Senhor dos cemitérios. Acredita-se que quando morre uma pessoa, Omolu senta-se em cima do corpo, reivindicando seus direitos. Para muitos, Omolu é o médico dos pobres. Omolu-Obaluaiê andou por todos os cantos da África, muito antes de surgirem algumas civilizações, porque é anterior à Idade dos Metais. Na sua peregrinação, ele conheceu todas as dores do mundo, superou todas e se tornou o médico dos pobres ao salvar  a vida dos necessitados, muito antes que houvesse a ciência.

Assim como Nanã, Omolu é o patrono dos kauris (búzios).

Ele carrega uma lança de ferro e veste um capuz de palha da costa ornado de búzios e cabaças; traje de grande significado e indispensável em todo ritual ligado à morte e ao sobrenatural.

O ikó é a fibra da ráfia, obtida das palmas novas de Yigyogóro (a palmeira do dendê ou dendezeiro), árvore sagrada. A palha é obtida dos talos centrais da palmeira ainda nova, antes que as suas folhas se abram e se curvem.

O fato de Omolu cobrir-se com ikó e de ornar-se com búzios e cabaças mostra que estamos na presença de um Orixá ligado diretamente com a morte e que suas atuações estão envoltas em mistérios que somente os iniciados podem acessar.

Uma versão fala que essa vestimenta lhe foi dada por Ogum. Outra, que ele a recebeu de seu irmão Oxóssi. Uma terceira diz que foi Yemanjá quem a teceu. Todas as lendas narram que ele a recebeu para cobrir suas chagas e, principalmente, para cobrir os próprios olhos, pois eles contêm o brilho do sol e quem os olhasse diretamente ficaria com a visão prejudicada.

Omolu é o dono da terra.

A ele pertencem todos os grãos, e ele é quem nos dá todo o tipo de alimentos. Por isso, também é muito associado aos troncos e aos ramos das árvores.

Suas comidas secas (isto é, em que não há sacrifício animal) incluem água, milho branco, acaçá, aberém sem tempero, arroz, feijão preto com dendê, pipocas (“latipá doburu”), verduras refogadas no dendê (efó).

Entre as comidas secas, as quizilas (euós ou proibições) são: peixe de pele, feijão, caranguejo, jaca, folhas trepadeiras. E os filhos deste Orixá não podem fazer uso da cachaça.

Os animais tradicionalmente oferendados a Omolu são: porco, cabrito, galos carijós, frangos rajados, galinha d’angola, tatu, cágado, patos pretos e brancos.

Sua grande “quizila” (euó) é o carneiro.

Ele transporta o axé preto, vermelho e branco.

Quanto aos fios de contas, o colar tradicional de Omolu é o laguidibá, feito de pequenas sementes de palmeira importada, ou então talhadas em pedaços de casca de coco, sempre bem juntas e de cor preta.

Também são usados os brajás de búzios brancos, numa associação aos mortos.

Outras opções: colares de contas de louça marrom com riscas pretas; ou de contas de louça vermelha com riscos pretos.

A qualidade Omolu Jagun usa laguidibá vermelho e também contas de louça vermelhas e pretas alternadas.

Na Tradição Angola, Omolu (o Velho) usa miçangas pretas e brancas. E Obaluaiê (o Moço) geralmente usa contas pretas, vermelhas e brancas. Dependendo da qualidade, usará o amarelo, o preto e o marrom.

No Ketu, a cor branca simboliza o frio, a imobilidade, o silêncio, a criação e a morte. A

cor preta é associada à terra e aos mortos. O vermelho simboliza o sangue, a guerra, o fogo, a geração e o movimento. O marrom tem o mesmo simbolismo que o vermelho. E o amarelo é uma cor benéfica, que lembra a riqueza, a fecundidade e a fertilidade.

Na preparação dos colares nunca se usam fios plásticos, de náilon ou sintéticos.

No Culto de Nação e no Candomblé, Omolu é associado ao número 14. Por esse motivo, seus

colares são de 14 fios e com 14 firmas (ou em número relacionado a 14).

Sua saudação é ATÓTÓ- que quer dizer: silêncio, calma. Uma reverência ao Grande Orixá Velho, diante do qual devemos manter silêncio, submissão e respeito.

No Candomblé o dia consagrado a Omolu é a segunda-feira.

 

3- A dança de Omolu no Candomblé Jêje-Nagô

 

O Olubajé é a grande cerimônia realizada no Candomblé para saudar Omolu (filho do senhor), bem como Obaluaiê (rei da terra), Onilé (senhor da terra) e Sapatá e Xapanã (deus da varíola). É celebrado nas Casas de Candomblé do Rio de Janeiro e de Salvador/Bahia e nos chamados Terreiros Nagô ou Jêje-Nagô da cidade de São Paulo.

É um banquete, onde o Orixá recebe de sete a vinte e uma comidas rituais, que são colocadas em potes e alguidares, sobre folhas especiais, esteiras e panos do mais puro branco.

Participam do banquete, também recebem oferendas e dançam com Obaluaiê-Omolu

os Orixás da sua família mítica.

Oxumaré (seu irmão) é o primeiro a dançar; após, vem Nanã (sua mãe); em seguida, Yemanjá (a mãe adotiva); depois, Yansã (a amiga e companheira que reina com ele sobre os espíritos dos mortos). Fechando a noite de gala, vem Oxalá, “o pai da criação”.

No dia da festa, a coluna central do espaço sagrado é envolvida por grandes laços de tecidos multicoloridos, de onde sobressaem o branco, o preto e o vermelho, que são as cores de Omolu. Da coluna central partem guirlandas de longos e numerosos fios de pipocas, formando uma espécie de “segundo teto” do barracão.

Há uma sequência de toques dos atabaques, para cada momento da grande celebração, e dependendo de qual divindade é saudada ou se faz presente entre os devotos. Pois o som carrega axé, e o ritmo tem uma natureza idêntica à natureza do Orixá. Alguns toques são acompanhados de cânticos e louvações.

Omolu dança ao toque Opanijé.

Ele dança com o corpo curvado para a terra e faz movimentos lentos ora para a direita, ora para a esquerda. Veste sua roupa de palha (azê) e carrega um cetro (xaxará) e uma lança de ferro (okó).

Durante a cerimônia, os devotos são abençoados, diversas vezes, com o derramamento de pipocas consagradas, com a finalidade de purificação e cura. [*Nota: O ritual do Olubajé é descrito de forma detalhada no livro “O Banquete do Rei - Olubajé”, de José Flávio Pessoa de Barros, Editora Pallas.]

Nas demais celebrações do Candomblé Ketu, a dança de Omolu geralmente se faz também ao toque Opanijé (usado no Olubajé, e igualmente dedicado a Obaluaiê, Onilé, Sapatá e Xapanã). É um ritmo lento, marcado por batidas fortes do Run (o atabaque maior do conjunto, de tom grave), e tem poucas cantigas, sendo na maioria das vezes apenas instrumental.

Dentro dos ritmos Jêje, a dança de Omolu acontece ao toque Vivauê.

Os ogãs precisam ter respeito pelos atabaques, pois a Omolu pertencem os couros e

Ele é o padrinho de todos os ogãs. Quando se faz oferenda aos atabaques, também se faz a Omolu.

 

4-Em resumo:

 

Obaluaiê ou Omolu- Na África, esses nomes geralmente se referem às fases míticas,

onde o mesmo deus seria mais jovem ou mais velho.

Omolu é a energia que rege as pestes (como a varíola, o sarampo, a catapora), as doenças de pele e as doenças transmissíveis em geral.

Também, e principalmente, é o “onixegum” ou “nixegum” médico, curandeiro, médico dos orixás- no dizer dos Candomblés da Bahia.

Omolu rege também:

*a força da terra (herdada de sua filiação a Nanã);

*a umidade da terra (porque foi adotado por Yemanjá);

*e as doenças das plantações.

Ele representa:

*o ponto de contato do homem com o mundo (a terra);

*a interface pele-ar;

*a aparência das coisas estranhas e a relação com elas.

No aspecto positivo, ele rege e cura, através da morte e do renascimento.

Em Salvador/Bahia, todo dia 16 de agosto, em frente à igreja de São Lázaro, diversos devotos de São Lázaro, de Omolu e de Obaluaiê recebem os populares banhos de pipocas (as flores de Omolu-Obaluaiê), no intuito de se livrarem de doenças e de evitá-las. Quando o assunto é doença, as promessas geralmente são dirigidas a Obaluaiê (o jovem médico), ou a Omolu (o velho médico).

Os Iorubás acreditam que este mito ou divindade nos mostra que o mal existe e que

pode ser curado; mas, principalmente, que é preciso ter consciência do momento em que ele terminou, para que saibamos recomeçar depois de um sofrimento violento.

 

Lendas

 

1-Omolu se torna o grande curador

Quando Omolu era um menino de uns doze anos, saiu de casa e foi para o mundo para fazer a vida. De cidade em cidade, de vila em vila, ia oferecendo seus serviços, procurando emprego. Mas não conseguia nada. Ninguém lhe dava o que fazer, ninguém o empregava; e ele teve que pedir esmola. Mas ao menino ninguém dava nada, nem do que comer, nem do que beber. Tinha um cachorro que o acompanhava, e só.

Omolu e seu cachorro retiraram-se no mato e foram viver com as cobras.

Omolu comia do que a mata dava: frutas, folhas e raízes. Mas os espinhos da floresta feriam o menino. As picadas de mosquitos cobriam-lhe o corpo. Omolu ficou coberto de chagas. Só o cachorro confortava Omolu, lambendo-lhe as feridas.

Um dia, enquanto dormia, Omolu escutou uma voz:
       “Estás pronto. Levanta e vai cuidar do povo.”

Omolu viu que todas as feridas estavam cicatrizadas, não tinha dores nem febre. Juntou suas cabacinhas de água e remédios que aprendera a usar com a floresta, agradeceu a Olorum e partiu.

Naquele tempo, uma peste infestava a Terra. Por todo lado morria gente, todas as aldeias enterravam seus mortos. Os pais de Omolu consultaram um babalaô, que lhes disse que Omolu estava vivo e que ele traria a cura para a peste. E assim foi.

Todo lugar aonde chegava, a fama precedia Omolu. Todos o esperavam com festa, pois ele curava. Os que antes lhe negaram até mesmo água de beber agora imploravam por sua cura. Ele curava a todos, afastava a peste. Então dizia que se protegessem, levando na mão uma folha de dracena (o peregum) e pintando a cabeça com efum, ossum e uági (os pós de cor branca, vermelha e azul usados nos rituais e encantamentos). Omolu curava os doentes e, com o xaxará, varria a peste para fora da casa, para que a praga não pegasse outras pessoas da família. Limpava as casas e aldeias com o xaxará, sua mágica vassoura de fibras de coqueiro, seu instrumento de cura, seu símbolo, seu cetro.

Ao voltar para casa, Omolu curou os pais. Todos estavam felizes. Todos cantavam e louvavam o curandeiro e o chamaram de Obaluayê (Senhor da Terra). Todos davam vivas ao Senhor da Terra, Obaluayê. (Reginaldo Prandi, “Mitologia dos Orixás”, 2005.)

2-Como Omolu ganhou suas chagas e foi curado por Yemanjá

Por causa do feitiço usado por Nanã para engravidar, Omolu nasceu todo deformado. Desgostosa com o aspecto do filho, Nanã abandonou-o na beira da praia, para que o mar o levasse. Um grande caranguejo encontrou o bebê e atacou-o com as pinças, tirando pedaços da sua carne.

Quando Omolu estava todo ferido e quase morrendo, Yemanjá saiu do mar e o encontrou. Penalizada, acomodou-o numa gruta e passou a cuidar dele, fazendo curativos com folhas de bananeira e alimentando-o com pipoca sem sal nem gordura, até que o bebê se recuperou. Então Yemanjá criou-o como se fosse seu filho.

3-Xapanã ganha o segredo da peste na partilha dos poderes de Olodumare

Olodumare um dia decidiu distribuir seus bens. Disse aos seus filhos que se reunissem e repartissem entre si as riquezas do mundo. Ogum, Exú, Ocô, Xangô, Xapanã e os outros orixás deveriam dividir os poderes e mistérios sobre as coisas na Terra.

Num dia em que Xapanã estava ausente, os demais orixás se reuniram e dividiram todos os poderes entre si, não deixando nada de valor para Xapanã. Um ficou com o trovão; o outro recebeu as matas; outro quis os metais; outro ganhou o mar. Escolheram o ouro, o raio, o arco-íris; levaram a chuva, os campos cultivados, os rios. Tudo foi distribuído entre eles, cada coisa com seus segredos, cada riqueza com o seu mistério. A única coisa que sobrou sem dono, desprezada, foi a peste.

Ao voltar, nada encontrou Xapanã, a não ser a peste, que ninguém quisera.

Xapanã guardou a peste para si, mas não se conformou com o golpe dos irmãos. Foi procurar Orunmilá, que lhe ensinou a fazer sacrifícios, para que seu enjeitado poder fosse maior que o dos outros. Xapanã fez sacrifícios e aguardou.

Um dia, uma doença muito contagiosa começou a espalhar-se pelo mundo. Era a varíola. O povo, desesperado, fazia sacrifícios para todos o orixás, mas nenhum deles podia ajudar. A varíola não poupava ninguém, era uma mortandade. Cidades, vilas e povoados ficavam vazios.

O povo foi consultar Orunmilá para saber o que fazer. Ele explicou que a epidemia acontecia porque Xapanã estava revoltado, por ter sido passado para trás pelos irmãos. Orunmilá mandou fazer oferendas para Xapanã. Só Xapanã poderia ajudá-los a conter a varíola, só ele tinha o poder sobre as pestes, só ele sabia os segredos das doenças. Tinha sido esta sua única herança.

Então, todos pediram proteção a Xapanã e sacrifícios foram realizados em sua homenagem. A epidemia foi vencida. E Xapanã agora era respeitado por todos. Seu poder era infinito, o maior de todos os poderes.

4-Omolu ganha pérolas de Yemanjá

Omolu foi salvo por Yemanjá quando sua mãe, Nanã Buruku, ao vê-lo doente e coberto de chagas, abandonou-o numa gruta perto da praia.

Yemanjá recolheu Omolu e o lavou com a água do mar. O sal da água secou suas feridas. Omolu tornou-se um homem vigoroso, mas ainda carregava as cicatrizes, as marcas feias da varíola.

Yemanjá confeccionou para ele uma roupa toda de ráfia, com a qual ele escondia as marcas de suas doenças. Era um homem poderoso, andava pelas aldeias e, por onde passava, deixava um rastro ora de cura, ora de saúde, ora de doença, Mas continuava sendo um homem pobre.

Yemanjá não se conformava com a pobreza do filho adotivo. Ela pensou:

     “Se eu dei a ele a cura, a saúde, não posso deixar que seja um homem pobre”. E ficou imaginando quais riquezas poderia lhe dar.

Yemanjá era a dona da pesca, tinha os peixes, os polvos, os caramujos, as conchas, os corais. Tudo aquilo que dava vida ao oceano pertencia a sua mãe, Olocum, que dera tudo a Yemanjá.

Yemanjá resolveu então ver suas jóias. Tinha algumas, mas enfeitava-se mesmo era com algas, com água do mar, vestia-se de espuma e se admirava com o reflexo de Oxu, a Lua. Yemanjá se lembrou de que tinha uma grande riqueza, que eram as pérolas que as ostras fabricavam para ela. Muito contente com esta lembrança, chamou Omolu e lhe disse:

     “De hoje em diante, és tu quem cuida das pérolas do mar. Serás chamado de Jeholu, o Senhor das Pérolas”.

Por isso as pérolas pertencem a Omolu. Por baixo de sua roupa de ráfia, enfeitando seu corpo marcado de chagas, Omolu ostenta colares e mais colares de pérola, belíssimos colares. (“Mitologia dos Orixás”, Reginaldo Prandi, 2005.)

 

Divindades assemelhadas

 

Hades- Divindade grega. Deus dos mortos, que morava no mundo subterrâneo. Filho de Cronos e Réia. Tem um cão de três cabeças (Cérbero), que fica na entrada do mundo subterrâneo, desempenhando a função de seu guardião, para evitar que os vivos entrassem e para assustar os mortos que chegavam. Entre os romanos, é Plutão.

Yama- Divindade hindu masculina da morte. No Ramayana, ele se passa por cachorro, salvando Rama da morte.

Anúbis- Divindade egípcia masculina da morte; o grande juiz dos mortos.

Arawn- Divindade celta da morte. Aparece sempre acompanhado de lobos brancos.

Iwaldi- Divindade escandinava. É “o anão da morte”, que esconde a vida no fundo do oceano.

Tung-Yueh Ta-ti (Tong Yue Dadi)- Divindade chinesa do sagrado monte Tai Shan e dirigente do mundo subterrâneo. É ele quem calcula, num ábaco, o tempo de vida que cada um tem na Terra. Senhor da morte, é responsável pelo desencarne.

Mictlantecuhtli- Divindade asteca. Deus da morte, Senhor de Mictlán, o reino silencioso e escuro dos mortos.

Ah puch- Divindade maia da morte, senhor do reino dos mortos.

(Fonte: O livro “Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Madras Editora, 2004.)

 

Características dos filhos de Omolu

 

No positivo, os filhos de Omolu são extremamente prestativos e trabalhadores, são

amigos de verdade. São perseverantes, pacientes, amorosos e fiéis a uma causa. Para os filhos de Omolu, a justiça não é a dos homens, e sim a de Deus (Olorun).

Muito intuitivos e de mente aguçada, têm uma capacidade mental atualizada ao seu tempo.

Raramente adoecem e quando isso acontece, recuperam-se rapidamente.

São discretos e um tanto austeros. Guardam sua individualidade, mesmo no círculo de suas amizades.

Não têm grandes ambições. São despretensiosos. Tiram a roupa do corpo para agradar uma pessoa e tratam o dinheiro pelo lado do prazer, da satisfação.

Muito limpos e vaidosos, na maioria das vezes são espiritualmente muito bonitos. E mesmo que não tenham muita beleza física, exercem atração sobre as pessoas porque o seu lado espiritual, íntimo, é muito forte.

Gostam da ordem e são ótimos mestres instrutores, levando suas empreitadas até o fim, sem se importarem com o preço a ser pago. Querem que as coisas saiam da maneira que planejaram.

Sinceros, não levam desaforo para casa, respondem no ato quando se sentem ofendidos.  

Nos relacionamentos amorosos, costumam sentir-se atraídos por pessoas de temperamento extrovertido e exuberante. Admiram o brilho do parceiro ou parceira, embora intimamente isso possa lhes causar um sentimento de quase inferioridade e autopunição, já que sua natureza é reservada.

Têm a tendência da mudança. Podem mudar de opinião de uma hora para outra. Parecem “dançar Opanijé”, indo de um lado para outro outro, o tempo todo,  sempre

procurando por algo.

Trabalhadores incansáveis, os filhos de Omolu fazem de tudo no seu templo religioso. Mas não os magoem nem os tratem com indiferença, pois quando se sentem incompreendidos são capazes de exageros e podem ter repentinas depressões.

Fisicamente, costumam ser magros e de traços físicos bem definidos.

Apreciam: o ensino, o misticismo, a magia e as coisas religiosas; roupas bem alinhadas e discretas; a boa mesa; companhias inteligentes; a vida errante e o trabalho descompromissado, como se a qualquer momento fossem partir.

No negativo, os filhos de Omolu tornam-se pessoas pessimistas e teimosas, que adoram exibir os seus sofrimentos e que procuram o caminho mais longo e difícil para atingir algum fim.

Omolu é relacionado a um arquétipo psicológico derivado de sua postura na dança: se nela

Omolu esconde suas chagas dos espectadores, por outro lado sua postura pesada e lenta simboliza o sofrimento que o abate. No comportamento do dia-a-dia, tal tendência pode revelar-se de forma negativa nos seus filhos, através de um caráter tipicamente masoquista. Podem, então, sentir-se incompreendidos e se tornar céticos, reprimidos, perversos, irritantes ou  vingativos.

Quando deprimidos e depressivos, agem como velhos: lentos, exigentes e rabugentos; acham que nada pode dar certo, que nada está bom. Neste caso, é difícil relacionar-se com eles.

Podem não ter muita beleza física e apresentar doenças de pele, marcas no rosto, dores e problemas nas pernas.

Mas o lado positivo dos filhos de Omolu supera, em muito, o lado autodestrutivo que a maioria deles possa ter (uns mais, outros menos).

Oferenda: Velas roxas; crisântemos brancos; flores do campo roxas; vinho tinto seco;

água mineral; um coco seco aberto só nos “olhinhos,” o suficiente para se colocar dentro dele um pouco de mel; um punhado de sal grosso; um punhado de terra vegetal coberta por fios de palha da costa; uma porção de pipoca coberta de coco ralado e estourada em azeite doce (ou no dendê, se for uma oferenda para o corte de magia negativa); frutas (de preferência, as de casca ou polpa escura); ervas.

 

Onde oferendar: No cemitério (na parte esquerda do cruzeiro); à beira-mar.

 

Quando oferendar:

Para pedir a cura de doenças. Especialmente nos casos de doenças auto-imunes, infecto-contagiosas, ósseas, musculares e de pele;

Para proteção e defesa contra magias negativas, atuações mentais negativas, ataques externos etc.;

Para o equilíbrio e a cura de enfermidades e desequilíbrios no campo sexual;

Para superar vícios de difícil tratamento;

Para vencer o desamor e o desânimo diante da vida, buscando a recuperação da autoestima e da autoconfiança;

Para o tratamento de processos de obsessão e perturbações ligadas a presenças espirituais desequilibradas no campo magnético do enfermo.

 

Amaci: Água de fonte com pétalas de crisântemos brancos, que devem ser maceradas e curtidas por sete dias.

 

Cozinha ritualística:

 

1-Arroz branco coberto com pipoca e enfeitado com fatias de pão preto regadas com dendê.

2-Pipoca feita no dendê e enfeitada com tirinhas de coco.

3-Feijoada: Preparar uma feijoada comum e depois temperar com dendê e cebola roxa. Enfeitar com tirinhas de coco.

4-Feijão preto com camarão: Cozinhar em ponto firme e apenas em água um punhado de feijão preto. Escorrer a água e reservar. Em separado, refogar no dendê um punhado de camarão fresco (ou camarão seco previamente dessalgado), cebola roxa picadinha e temperos (cheiro verde, orégano etc.). Juntar o feijão cozido e refogar ligeiramente. Servir num alguidar ou num prato de papelão forrado com coco (ralado ou em tirinhas), ou então com folhas de taioba. Pode-se fazer apenas o feijão com a cebola, passados no dendê (sem o camarão).

5-Carne de porco: Um pedaço de carne de porco, um pouco de dendê e meio quilo de cebola roxa. Aquecer o dendê e passar a carne de porco nesse azeite, só para dourar.  Juntar um pouco de água para cozinhar levemente a carne. Cortar a cebola e passar no dendê quente, rapidamente, para não murchar. Colocar a carne num alguidar ou num prato de papelão forrado com folhas de taioba e cobrir com a cebola.

6- Aberém: Pequenas porções de massa de acarajé (ou de milho), sem sal. Enrolar em em folha de bananeira e cozinhar em banho-maria. Depois, regar com mel (ou dendê).

 

Alguns Caboclos de Omolu: Caboclo Terra Roxa (Omolu e Nanã), Caboclo Rompe Terras (de Ogum e Omolu), Caboclo Africano, Caboclo Folha Seca (regência de Oxóssi e Omolu), Caboclo Cipó Preto (Oxóssi e Omolu), Caboclo Arranca Toco (arranca= Ogum; toco= árvore que secou= Omolu); Caboclo Quebra toco (quebra= Ogum; toco=Omolu), Caboclo Pedra Preta (Oxalá e Omolu).

 

Alguns Exus de Omolu: Exu da Terra (Omolu e Obá); Exu Terra Preta; Exu Treme Terra (Omolu e Obá); Exu Caboclo (=da terra); Exu do Toco; Exu Trinca Ferro (de Ogum e Omolu: porque trincar o ferro é reduzi-lo a pedaços; vai estilhaçar, vai soltar “pó de ferro”); Exu Pedra Preta (Oxalá e Omolu); Exu do Pó; Exu Sete Poeiras (de Omolu e Iansã: porque a poeira é terra que vai pelos ares, que se movimenta com o vento); Exu Toco Preto.

 

TRONO Masculino da Geração.
Linha/Sentido Geração
Fator Fator Paralisador- tem a função de paralisar tudo o que atenta contra o Sentido da Vida e da Geração, para garantir a estabilidade e o equilíbrio da Criação.   

O Fator Paralisador, na sua atuação, engloba: o Fator Puro Estabilizador (que dá estabilidade à Criação); e o Fator Misto Geracionista (que gera as condições para a multiplicação de tudo, inclusive a dos Fatores dos demais Orixás).

Essência Telúrica (da terra).
Elemento Primeiro Elemento: terra.                                                    Segundo Elemento: água.
Polariza com Yemanjá
Cor Roxo.

Também o branco, o preto e o vermelho juntos.

E ainda o branco e o preto juntos.

Fio de Contas Contas de porcelana roxas; ou brancas, pretas e vermelhas; ou brancas e pretas; ou contas feitas de rodelas bem pequenas de casca de coco (escuras).
Ferramentas  O azê (vestimenta de palha); o cajado (xaxará); a lança de ferro (okó); os búzios.
Ervas 1-Fonte: Adriano Camargo:

a) Quentes ou agressivas: Alho desidratado; casca de alho; casca de cebola; carapiá; cipó cabeludo; chorão; dandá; erva de bicho; garra do diabo; mamona roxa; olho de cabra; orégano; peregum roxo; picão; pinhão roxo; valeriana.

b) Mornas ou equilibradoras: Alcachofra (folhas); angélica (raiz); capim rosário; chapéu de couro; cravo da Índia; sete sangrias; trapoeraba (ou coração roxo); manjericão (comum); manjericão roxo; noz de cola (obi seco); verbena; folhas de beterraba; catinga de mulata; ipê roxo; lantana; folha de fogo.

2-Outras: Acônito; agoniada; alamanda; alfazema de caboclo; assa-peixe; babosa (ou pau d’alho); beldroega vermelha; bomina; café do mato; cambará; canela de velho; camena coirana; capixingui; carobinha do mato; casadinha; cebola do mato; cordão de frade (ou de São Francisco); cotiveira; douradinha; erva de passarinho (ou erva de andorinha); erva moura; figueira (folhas); folhas de fumo; folhas de lentilha; folhas de milho; folhas de tremoço; gervão roxo; guararema; guanxuma; hortelã brava; jenipapo; manjerona; mastruz (ou mastruço); mololô; musgo; palha da costa; quitoco; rabujo; sabugueiro; senza; tamarindo (folhas e casca); vassoura preta; velame do campo.

Símbolos O cruzeiro do cemitério; a foice (alfanje); a terra; as pipocas; a palha da costa.
Ponto de força na Natureza O cemitério (calunga pequena);

O ponto à esquerda do cruzeiro do cemitério;

O mar (calunga grande).

Flores Crisântemos; galhos secos de figueira e de pitangueira; tinhorão; inhame preto; cipó São João; cravo-de-defunto; todas as flores brancas; todas as flores roxas.
Essências Cravo, manjericão, café, alfazema.
Pedras Pedras: As pedras roxas e algumas pedras pretas, tais como ônix e ametista da Bahia (ou cacochinita). Seus principais minerais são: ferro, manganês, potássio e zinco, como componentes internos e agentes corantes destes Cristais. (Fonte: Angélica Lisanty.)

Pedra mais usada: Ônix preto.  Dia Indicado para a consagração: 2ª feira. Hora indicada: meia noite.

Metal e Minérios Metal: Chumbo.

Minério: Molibdenita (Molibdênio).  Dia indicado para a consagração: 6ª feira.  Hora indicada: 18 horas. (Fonte: “Código de Umbanda”, Rubens Saraceni, Madras Editora.)

 Chakra Básico ou Raiz
 Saúde Coluna vertebral, os rins, o aparelho reprodutor e os membros inferiores. As musculaturas que podem ser envolvidas por um bloqueio nessa região são: glúteos, diafragma pélvico, músculos internos da barriga e da região lombar (abdominais, lombares, lombo sacrais e glúteos médios). Pessoas com estes bloqueios podem apresentar hemorróidas, dores lombares, tensão nas pernas e pés, problemas nos aparelhos urogenitais e dificuldades sexuais.

Ligado às glândulas supra-renais, este chakra é o responsável pela absorção da Kundalini (energia da terra) e pelo estímulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue. Está muito ligado às sensações físicas. Relacionado diretamente com os membros inferiores e com os instintos físicos. Atua na irrigação dos órgãos sexuais. Por meio dele é que entram as energias que nos conectam com a terra e com o mundo exterior.  Ligação com a terra, com o bem-estar físico, com o instinto de sobrevivência, com a vitalidade e com a sexualidade.

Está diretamente ligado à vontade, pois nos dá motivação e energia para agir, fazer, realizar, ganhar nosso sustento, enfrentar obstáculos etc.

Na época atual, encontra-se passivo, na maioria dos indivíduos, pois só entra em atividade pela vontade dirigida e controlada pelo iniciado. Por que isso? Porque o chakra Básico responde ao aspecto vontade. Da mesma forma que o princípio “vida” está situado no coração, o princípio da vontade está situado no chakra básico, na base da coluna.

Seu principal aspecto é a inocência, qualidade pela qual experimentamos a alegria pura, infantil, sem as limitações do preconceito e dos condicionamentos, e que nos dá dignidade, equilíbrio e um enorme senso de direção e propósito na vida. É apenas simplicidade, pureza e alegria.

Portais de cura (cf. Adriano Camargo): Potes com terra escura, velas roxas e brancas, peregum roxo (quatro, sete, ou oito folhas), raízes escuras (dandá, valeriana).

Dia da Semana Na Umbanda: terça-feira, dia regido por Plutão.                        No Candomblé: segunda-feira.                                                          
Planeta Plutão
Saudação Salve Nosso Pai Omolu! Resposta: “Atotô, Omolu!”; ou então: “Omolu-Yê Tatá!”
Bebida Vinho branco licoroso, vinho tinto seco, vinho moscatel, aguardente, água mineral, suco de laranja lima, suco de limão, água de arroz (lavar o arroz, deixar de molho em água e utilizar esta água), sumo de ervas (usar as ervas do Orixá), dendê, mel.
Animais Cachorro, porco, cabrito, galos carijós, frangos rajados, galinha d’angola, tatu e cágado, patos pretos e brancos.
Comidas Pipoca; milho, nabo; verduras refogadas no dendê (taioba, bertalha, espinafre etc.), chamadas genericamente de efó; abacaxi, ameixa preta, amora, banana da terra, cereja preta, coco seco, figo, feijão preto, fruta do conde, fruta pão, gengibre, goiaba branca, jamelão, jabuticaba, laranja lima, limão, mandioca, maracujá, uva preta, tamarindo, frutas ácidas em geral, melão.
Números Na Umbanda: 12 e 13.                                                                 No Candomblé: 14
Data Comemorativa 02 de novembro, Dia de Finados.
Sincretismo Na Umbanda: São Bento.                                                         No Candomblé costuma-se sincretizar Omolu com São Lázaro e com São Roque.
Incompatibilidades No Culto de Nação e no Candomblé as proibições (euós ou quizilas) guardadas em relação ao Orixá Omolu são: o carneiro (a grande quizila); os sapos; os peixes de pele; o caranguejo; a jaca; as folhas trepadeiras; a claridade. Seus filhos não devem fazer uso da cachaça.
Qualidades  No Candomblé, Omolu é associado ao número 14. Em consequência, considera-se que são 14 as suas Qualidades.

As encontradas com mais frequência são estas:

1-Akavan- Tem ligação com Oyá. Veste estampado.

2-Azonsu/Ajunsu- Tem fundamentos com Oxumaré, Oxun e Oxalá. Carrega lança e veste branco.

3-Azoani- É jovem. Veste vermelho, palha vermelha Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Yemanjá e Oyá.

4-Arawe/Jagun- Tem fundamento com Oyá e Oxalá.

5-Ajoji / Jagun- Tem fundamentos com Ogun e Oxagian.

6-Avimaje-Tem fundamento com Nanã, Ossain e Odé.

7-Ajoji /Segí/Jagun- Tem ligação com Yemanjá, Oxumaré e Nanã.

8-Afomam ou Afenan- Veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste-se de amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras lhe pertencem. Tem caminhos com Oxumaré e com Ogun, de quem é companheiro. Dança com o corpo curvado, cavando a terra, como Intoto, para depositar os corpos que lhe pertencem.

9-Agbagba Jagun- Tem fundamento com Oyá.

10-Itubé Jagun/Jagun ou Ajagun – Tem caminhos com Oxalá. É jovem e guerreiro. Leva na mão uma lança chamada okó. É vingativo e ambicioso, luta para alcançar posição alta sem ver de que maneira. Tem caminhos com Ogunjá, Oxaguian, Ayrá, Exu e Oxalufan. É cultuado no dia 17 de dezembro. Veste branco e preto e suas contas são rajadas. Em seu cântaro (moringa de uma asa só) se colocam jóias e dinheiro. Não come feijão preto. Sua comida inclui miúdos de boi no azeite doce (e não em dendê, como a dos outros). Ele é o único que come igbin (caracol ou caramujo, que é tradicionalmente oferecido para Oxalá, sendo popularmente chamado de “boi de Oxalá”).

11-Ìpòpò: Tem forte fundamento com Nanã. Usa biokô.

12-Tetu / Etetu Jagun: É jovem e guerreiro. Recebe oferenda com Ogum e Oyá. Veste  branco, usa biokô.

13-Agòrò: Veste branco, usa biokô com franjas de palha

14-Itetù Jagun: Ligado a Yemanjá e Oxalá.

Aparecem ainda vários nomes, títulos e qualidades parecidas: Ajágùsí, Topodún, Janbèlé, Parú, Polibojí, Akarejebé, Aruajé, Ahoye, Olutapá, Sapatá Ainon, Wari Warún etc.

Algumas Casas fazem ainda referência às seguintes Qualidades de Omolu:

1-Saponan- É o mais antigo. Deus da varíola e das doenças de pele. Tem caminhos com Oxóssi. Seu nome não deve ser pronunciado. Na África, quando se fala seu nome, coloca-se mel na boca. Recebe oferendas com Exu e tem fundamento nas encruzilhadas. Suas contas são brancas e pretas.

3-Possun- No Jêje é louvado como Azanssun, ligado ao tempo, às estações do ano e ao culto da terra. É o verdadeiro dono do cruzeiro. Seu assentamento é feito no barro vermelho. Veste-se de vermelho, preto e branco. Na perna esquerda leva uma pulseira de aço.

No Keto e na Angola é reverenciado como Tempo. Recebe oferendas diretamente na terra. Sua dança mostra claramente sua ligação com Exu e com a terra: dança com garras nas mãos, como se estivesse cavando a terra ou retalhando alguma coisa. Animais para oferenda: cágado e tatu. Tem caminhos com Intoto, Iroko e Oyá.

4-Intoto- Suas contas são em vermelho e preto. É um Orixá cultuado apenas em seu assentamento (não “vira” na cabeça de ninguém). Representa o fundo da terra. Recebe oferendas com Ewá, Oyá e Iku. Seus assentos são cultuados ao lado de Nanã e Yemanjá. Não aceita a faca, assim como Nanã. Suas oferendas sempre levam dendê e são feitas no campo que tenha barro. Animais para oferenda: porco preto, frangos, pombos de cor e galinha d’angola.

 

Obá

OBÁ

Mãe Obá é a Divindade que está assentada no pólo negativo (isto é, absorvedor) da Linha do Conhecimento, que é a terceira Linha de Umbanda, onde polariza com Pai Oxóssi.

Ela e Oxóssi atuam em pólos opostos: Oxóssi estimula a busca do Conhecimento porque é o pólo positivo ou irradiante; enquanto Obá, como pólo absorvedor, paralisa os seres que se desvirtuaram por adquirir conhecimentos viciados, distorcidos ou falsos ou ainda por fazerem mau uso do conhecimento.

Obá é o Orixá que mostra a verdade e que nos ajuda a manter firmes os nossos objetivos, nosso raciocínio, nossa concentração e determinação.

Como Orixá Cósmico, Obá corrige toda expansão desvirtuada, todo conhecimento falso, ilusório, mentiroso.

Obá retira o poder de concentração e objetividade dos seres desvirtuados (como os falsos conhecedores e os soberbos que se apoderam do conhecimento para ter domínio sobre os outros) e então eles começam a perder o foco, a concentração, a linha de raciocínio. O ser que está sendo atuado de forma cósmica por Obá começa a perder interesse pelo assunto que tanto o atraía e se torna apático. Então, quando aquele ser já foi paralisado e teve seu emocional descarregado dos conceitos falsos, Obá o conduz ao campo de ação de Oxóssi, que começará a atuar para redirecioná-lo na linha reta do Conhecimento.

O campo onde Obá mais atua é o religioso. Como Divindade Cósmica responsável por paralisar os excessos cometidos pelas pessoas que dominam o conhecimento religioso, Ela paralisa os conhecimentos viciados e aquieta os seres, antes que cometam erros irreparáveis.

Todas as doutrinas religiosas que são rígidas e rigorosas com seus adeptos têm a sustentá-las a silenciosa atuação de nossa amada Mãe Obá.

O culto a Obá iniciou-se milênios atrás, com a irradiação simultânea de uma de suas qualidades ou aspectos a várias partes do mundo, quando então Ela se humanizou.

Nossa amada Mãe Obá já recolheu boa parte de seus filhos encantados que se espiritualizaram, mas muitos ainda estão evoluindo nos dois lados da dimensão humana (como encarnados e como desencarnados).

Muitos dos seus filhos hoje atuam na Umbanda como silenciosos Exus e discretas Pombagiras, também como Caboclos e Caboclas aguerridos e resolutos nas suas ações, precisos nos seus conselhos, mas de pouca conversa quando sentem que o conhecimento que trazem não é assimilado por seus médiuns ou pelos consulentes.

O elemento principal de Obá é a terra úmida e fértil que dá sustentação aos vegetais; e o segundo elemento da sua atuação é o vegetal. No elemento terra Obá atua para aquietar e densificar o racional dos seres. Pelo elemento vegetal, Obá atrai e paralisa os seres que estão se desvirtuando no caminho do Conhecimento.

Mas sua atuação não é somente para corrigir e paralisar negatividades. Como Divindade de Deus, Mãe Obá nos ampara e nos dá sustentação no Sentido do Conhecimento, sempre que nos mostramos de coração limpo e com boas intenções. Assim, quando temos boa intenção em aprender algo e queremos usar aquilo de forma positiva, mas sentimos dificuldade de aprender, Obá nos ampara e nos dá concentração. Ela também ajuda os seres bem intencionados que tenham dificuldade de encontrar o “foco” da vida, que vivam em confusão mental e se dispersem com facilidade, dando-lhes concentração e objetividade.

Obá é terra, é concentração, mas também é vista como Mãe-Orixá guerreira, séria, brava, objetiva, lembra uma professora rígida e exigente, concentrada e um pouco fechada.

Obá é associada ao número 14 e ao planeta Urano.

HISTÓRIA

No Culto de Nação e no Candomblé Obá é conhecida e cultuada como Orixá do rio Níger, irmã de Iansã, esposa de Ogum e, posteriormente, a terceira e mais velha mulher de Xangô. Embora feminina, é temida, forte, enérgica, sendo considerada mais forte que muitos Orixás masculinos. Às vezes é também citada como caçadora.

Em toda a África Obá era cultuada como a grande deusa protetora do poder feminino, sendo por isso também saudada como “Iyá Agbá”, e ainda mantendo estreita ligação com as Iya Mi Oxorongá (as Mães Feiticeiras). Era uma mulher forte, que comandava as demais e desafiava o poder masculino.

Conta uma lenda que Obá lutou contra todos os Orixás e venceu Oxalá, Xangô e Orumilá, tornando-se temida por todos os deuses.

Outra lenda conta que Obá se transformou em rio quando perdeu para Oxum a disputa pelo amor de Xangô e que, mesmo assim, é uma deusa relacionada ao fogo: pois quem conhece o rio de Obá, na Nigéria, sabe que é um rio de águas revoltas, em constante movimento, motivo pelo qual é sinônimo de fogo.

As lendas falam também que Obá é “a guardiã da esquerda” e o Orixá do ciúme. E isso tem uma explicação: primeiro, é preciso lembrar que o lado esquerdo (Osì) sempre esteve relacionado à mulher, justamente porque é o lado do coração e da emoção. Então, quando

Obá é saudada como “guardiã da esquerda”, isso quer dizer que Ela é a protetora de todas as mulheres, é aquela que compreende os sentimentos do coração, pois Obá pensa com o coração. Por isso também, Obá amou e viveu paixões, com todos os dissabores e sofrimentos que isso traz, e Obá sente ciúme porque ama. Ela se dedicou à guerra para superar tais sofrimentos, o que também evidencia toda a sua determinação e coragem.

Lendas de Obá

1-Obá luta com Ogum

Obá era uma mulher cheia de vigor e coragem, não temia ninguém no mundo. Seu maior prazer era lutar; e Obá venceu Oxalá, Oxóssi, Orumilá e Oxumarê e ainda desafiou Obaluayê e Exu.

Chegou a vez de Ogum!  Mas Ogum teve o cuidado de consultar Ifá, antes da luta. Então, preparou a oferenda que lhe fora indicada: muitas espigas de milho e muitos quiabos, tudo pisado num pilão até virar uma massa viscosa e escorregadia.

Na hora marcada, Obá e Ogum se enfrentaram. No inicio, Obá parecia dominar a situação. Mas Ogum recuou em direção ao lugar da oferenda. E Obá pisou na pasta viscosa e escorregou.

Ogum aproveitou para derrubá-la. Tomou-a ali mesmo e se tornou o primeiro marido de Obá.

Essa lenda destaca a qualidade guerreira de Obá e a sua determinação e coragem.

Obá venceu Oxalá, Oxóssi, Orumilá e Oxumarê, também desafiando Obaluayê e Exu, porque nenhum deles é Orixá guerreiro. Isso destaca que Obá é a guerreira.

Mas no final da lenda fica bem claro que o grande guerreiro é Ogum, cujo nome quer dizer justamente “Senhor da guerra”. Porque Ogum foi o único a vencer Obá e o primeiro a tomá-la como esposa. Isso significa também que Ogum está unido a Obá, ou seja, que a atuação de Obá é conjugada (“casada”) com a atuação da Lei Divina e tem o amparo da Lei Divina. Este aspecto sinaliza para um ponto importante: as nossas “lutas” precisam estar sob o amparo da Lei Divina.

Por outro lado, embora sendo um grande guerreiro, Ogum cuidou de fazer uma oferenda antes de ir para a luta com Obá e por isso obteve a vitória. Ou seja, Ogum reverenciou o Sagrado antes de ir para a luta. Mesmo sendo o Senhor da guerra, Ogum teve esse cuidado e respeito. E isto reforça o sentido das oferendas no campo religioso: o de um pedido de licença e de amparo do Sagrado, antes de se fazer qualquer coisa.

2-Obá luta com Oxum

Mais tarde, Obá tornou-se a terceira mulher de Xangô, por ser forte e corajosa.

A primeira mulher de Xangô foi Iansã, que era bela e fascinante. A segunda foi Oxum, coquete e vaidosa.

Uma rivalidade logo se estabeleceu entre Obá e Oxum. Ambas disputavam a preferência do amor de Xangô. E Obá tentava descobrir o segredo das comidas que

Oxum preparava para Xangô, e que tanto o agradavam.

Oxum decidiu montar uma armadilha para Obá: convidou-a para acompanhar a preparação de um prato que, segundo ela, era o preferido de Xangô.

Obá chegou na hora combinada.

Oxum usava um lenço amarrado à cabeça, que escondia suas orelhas. Preparava uma sopa para Xangô, na qual se viam dois cogumelos flutuando na superfície do caldo. Oxum convenceu Obá de que os cogumelos eram as suas orelhas, ingrediente essencial da receita. Xangô veio em seguida e se deliciou com a sopa.

Na semana seguinte, foi a vez de Obá cuidar de Xangô. Ela decidiu seguir a “receita” de Oxum. E colocou sua orelha esquerda no preparo.

Xangô ficou horrorizado ao ver que Obá cortara uma das orelhas e achou repugnante acomida.

Neste momento, Oxum chegou e retirou o lenço, revelando que suas orelhas estavam intactas. Furiosa, Obá precipitou-se sobre Oxum. Uma verdadeira luta se seguiu.

Enraivecido, Xangô trovejou sua fúria contra as duas.

Apavoradas, Oxum e Obá fugiram e se transformaram em rios. E até hoje as águas destes rios são tumultuadas, no lugar de sua confluência, como lembrança daquela disputa.

Essa lenda destaca vários aspectos:

Primeiro, que no campo do amor ninguém vence Oxum. Porque Oxum representa o Amor Divino.

Depois, mostra a determinação de Obá: para alcançar seu objetivo, Ela “cortou uma orelha”, isto é, não mediu esforços. Claro que não se pode levar isso ao pé da letra e querer aplicar em nossa vida, pois seria chegar ao extremo do extremo… As lendas procuram exaltar as Qualidades dos Orixás, isso é o que precisamos observar e compreender.

Finalmente, vem o destaque para Xangô como representante do equilíbrio da Justiça e da razão, que se “enfurece” com as duas por agirem de forma irracional e usarem de artimanhas para envolvê-lo. Xangô põe um ponto final na situação, aparando as arestas da irracionalidade no campo do amor e dos relacionamentos: os excessos emocionais de Obá e de Oxum transbordam ou são “descarregados”, formando dois rios de águas turbulentas… Vale dizer, Xangô é o grande equilibrador.

Essa lenda faz pensar ainda sobre outra questão: No Candomblé, quando incorpora em suas filhas, geralmente Obá leva uma das mãos na direção da orelha esquerda. Gesto que seria para cobrir o defeito, a falta da orelha cortada, segundo respeitável tradição.

Agora, se lembrarmos, de acordo com a tradição africana, que Obá “guarda o lado esquerdo” (Osì), que é o lado do coração, podemos talvez entender que Ela está atuando neste sentido: guardar o lado esquerdo. Inclusive, na dança do Orixá, a mão é projetada um pouco para trás, próxima ou na direção da abertura posterior do chakra frontal, que é o chakra regido pelo Trono do Conhecimento. O chakra frontal se abre para frente e para trás. Na abertura da frente, Oxóssi está irradiando o Conhecimento equilibrado. Na abertura posterior do frontal, Obá atua para corrigir excessos e para dar amparo a quem precisa de foco e concentração. Com certeza, aquele gesto tem muitos significados. Pois as lendas têm vasto conteúdo, revelam parte da extraordinária riqueza cultural dos Povos da Mãe África, de quem muito recebemos.

Algumas Divindades assemelhadas:

Deméter- divindade grega das colheitas, da lavoura e da fertilidade do solo, que ensinava a arar a terra e a semear o trigo. (Entre os romanos é Ceres, filha de Cronos e Réia.)

Bona Dea- divindade romana da terra e da fertilidade, a “boa deusa” que traz a abundância de alimentos.

Cibele- divindade romana da terra, a “Magna Mater”, a Grande Mãe Terra, senhora da vegetação e da fertilidade.

Minerva- divindade romana e etrusca, cujo nome deriva de “mente”. Regia a inteligência, a criatividade, a sabedoria, as habilidades domésticas e os trabalhos guiados pela mente.

Tari Pennu- divindade hindu da terra, da fertilidade e das boas colheitas.

Nisaba- divindade sumeriana das artes do escriba, protetora das escolas, dos professores

e estudantes. Também protegia a agricultura e a vegetação.

Zamyaz- divindade persa da terra, dos grãos e da fertilidade.

Armait- divindade persa no panteão do Zoroastrismo, deusa da sabedoria e Senhora da Terra.

Erce- divindade eslava da terra, protetora dos campos e plantações. Recebia oferendas de leite, mel, vinho e fubá, despejados nos campos e nos cantos da propriedade.

Uke-Mochi-no-Kami- divindade japonesa da agricultura e dos alimentos. Também é mãe

da divindade dos brotos de arroz (Waka-Saname-no-Kame) e juntos são responsáveis pela fertilidade da terra, recebendo oferendas de arroz e brotos.

Ma Emma- divindade estoniana, a Mãe Terra. Recebia oferendas de leite, manteiga e lã, ao pé de árvores velhas ou sobre lajes.

Pachamama, Divindade inca da terra. É a Mãe-Terra, a quem se fazem oferendas para obter boas colheitas. Senhora das montanhas, rochas e planícies.

Características dos filhos de Obá:

No positivo: São pessoas lutadoras, bravas, muito zelosas com seus pertences, dedicadas e muitas vezes ingênuas, principalmente em relação ao amor e às amizades.

Humildes, resignadas, esperançosas, boas ouvintes e conselheiras, são capazes de dar o próprio pão a alguém que não tenha nada para comer.

São pessoas de grande valor e dedicação e tendem a alcançar seus ideais.

Um tanto agressivas, às vezes são pouco compreendidas.

Gostam das coisas práticas, apreciam a vida doméstica e a segurança do lar

Muito reservadas com suas amizades, preferem não falar de si mesmas e desconfiam ao primeiro sinal de alerta interior.

Não gostam de pessoas soberbas, arrogantes e vaidosas, nem de lugares ou reuniões agitados e de conversas vazias e vulgares.

No negativo: São intrigantes, ciumentas, ficam remoendo uma ofensa recebida, são cruéis e traiçoeiras e se vingam na primeira oportunidade que surgir.

Amaci: água de rio com pétalas de rosa branca e folhas de alecrim maceradas e curtidas por 24 horas.

Oferenda: 1 coco verde aberto (separar a água); a água do coco verde com folhas de hortelã quinadas e em seguida adoçada com mel; vinho tinto licoroso; raízes e ervas; 1 kg de canjica amarela levemente aferventada em água mineral, escorrida e depois regada com mel; flores do campo; 7 velas verde-escuro, e 7 magenta (ou vermelhas); 2 folhas de bananeira; um pedaço de tecido de cor magenta (ou vermelho) e outro, do mesmo tamanho, na cor verde escuro. Local para a oferenda: a beira da mata.

Preparação: Separar todo o material e elevar o pensamento à Divina Mãe Obá, pedindo que nos dê sua licença e sua bênção para o que vamos fazer.

Montagem: Estender os panos na terra, em forma de estrela (o magenta em cima do verde) e sobre eles abrir as folhas de bananeira. Dispor os elementos sobre estas folhas, tendo os panos embaixo.

Despejar a água de coco com hortelã e mel dentro do coco e colocá-lo no centro da oferenda.

Rodear o coco com a canjica amarela. Em volta, distribuir as raízes e as demais ervas.

Fazer novo círculo, agora com as flores.

Por fora da oferenda montada, firmar as velas, alternando 1 verde e 1 magenta.

Circular tudo com o vinho licoroso, despejando-o com a mão direita sobre a terra e saudando a Divina Mãe Obá: “Akirô Obá-Yê!” Dar 3 voltas sobre a oferenda, no sentido horário, derramando o vinho e fazendo a saudação. Pedir a Obá que nos dê proteção, foco, concentração e objetividade na vida, e que Ela nos mostre sempre a verdade e nos livre dos enganos e dos enganadores.

Observação:

Conforme o ensinamento do professor Rubens Saraceni, sempre que fazemos oferenda à Mãe Obá também podemos levar um pedaço de carne bovina para saudar o Sr. Exu da Terra, que é o Guardião Planetário de Obá. Isso será feito antes de colocarmos a oferenda para Obá.

Então, chegando ao lugar escolhido na beira da mata, e à esquerda do ponto aonde iremos oferendar Obá, primeiro saudamos e pedimos licença ao Sr. Exu e à Senhora Pombagira guardiões daquele ponto de força, derramando pinga e sidra na terra e ali firmando 1 vela preta e 1 vela vermelha.

Damos 7 passos à frente, sempre à esquerda do local onde será colocada a oferenda de Obá e ali cavamos um buraco na terra, nele colocando a carne que oferecemos ao Sr. Exu Guardião Planetário da Terra.

Depois, cercamos o buraco com 7 velas pretas e 7 vermelhas, saudando o Sr. Exu Guardião Planetário da Terra. Podemos dizer: “Laroyê, Senhor Exu Guardião Planetário da Terra! Exu Guardião da Terra é modjubá!” Apenas o saudamos, em sinal de respeito, NÃO fazemos pedido algum a Ele, pois é um Guardião Planetário!

Feito isto, damos 7 passos à frente e à direita, para então montar a oferenda de Mãe Obá.

Alguns procedimentos para saudar Mãe Obá:

a) Colocar um pouco de água mineral nas mãos e elevar o pensamento à Mãe Obá. Derramar 3 vezes um pouco de água no chão, com respeito e reverência,  dizendo: “Akirô Oba-Yê” (nas 3 vezes). Esta saudação funciona como um mantra e significa: “Eu saúdo o Seu Conhecimento, Senhora da Terra!”; ou: “Eu saúdo a Terra, Senhora do Conhecimento!“ Isso pode ser feito também no Terreiro, na frente do Altar.

b) Colocar na frente do nosso Altar doméstico uma bacia de ágata (ou louça branca) com água mineral e hortelã fresca quinada (picada com as mãos) e macerada (deixada em repouso na água por algumas horas). Ofertar e consagrar à Mãe Obá, pedindo amparo, proteção, firmeza e concentração nos objetivos. No Terreiro, isso é feito na frente do Altar.

c) Colocar na frente do Altar (doméstico, ou então do Terreiro), com a mesma finalidade, uma tigela branca (ou alguidar) com terra vegetal e acender na terra 1 vela para Mãe Obá, pedindo bênçãos, proteção e concentração (foco, objetividade na vida).

Alguns Caboclos de Obá: Caboclo da Terra (de Obá e Omolu), Caboclo Raiz (de Obá e Oxóssi), Caboclo 7 Raízes (de Oxalá, Oxóssi e Obá), Caboclo Treme Terra (de Obá e Omolu), Caboclo Terra Roxa (de Obá e Omolu)

Alguns Exus e Pombagiras de Obá: 7 Raízes (de Oxalá/Oxóssi/Obá), da Terra (de Obá e Omolu), Treme Terra (Obá/Omolu), da Terra Roxa (Obá e Omolu).

Algumas comidas rituais de Obá:

Moranga com camarão: 1 moranga; 500g de camarão limpo; um maço de espinafre (ou de taioba, ou de mostarda); 01 cebola ; dendê.

Cozinhar ligeiramente a moranga inteira. Depois, abrir um círculo em cima da moranga, tirar a tampa e as sementes. Cortar a verdura em tiras, refogar com cebola, dendê e os camarões. Colocar o refogado dentro da moranga. Oferendar sobre folhas de hortelã fresca.

Moranga com frutas: Cozinhar ligeiramente uma moranga, tirar a tampa e remover as sementes. Dentro da moranga, colocar frutas, já cortadas e em camadas, assim: 1 pera, 1 maçã, 1 cacho de uva branca, 1 melão, 1 manga. Cobrir cada camada de fruta com açúcar cristal. A última camada deve ser coberta de açúcar. Oferendar sobre folhas de hortelã fresca misturadas com as sementes retiradas da moranga.

Abará: São bolinhos feitos com a massa de feijão fradinho já levemente cozido e temperado com um pouquinho de dendê.  Moldar os bolinhos, enrolar em folha de bananeira e cozinhar em banho-maria.

Acarajé: Massa: 500g feijão fradinho, 3 cebolas raladas, 1 colher de sopa de sal, 1 garrafa de dendê Deixar o feijão de molho de véspera. Retirar o olhinho preto e a pele dos feijões. Triturar. Temperar com cebola e sal. Bater bem, com colher de pau, até virar um creme. Reservar a massa para fritar.

Molho: 500g de camarão; 2 pimentas malaguetas, 1 cebola ralada, coentro fresco picado, 1 xícara de dendê. Misturar bem. Levar ao fogo por uns 10 minutos.

Fritar a massa às colheradas, em azeite de dendê quente, dourando os dois lados. Abrir os acarajés com uma faca e recheá-los com o molho.

Oferendar num prato de papelão forrado com folhas de alface. Ou colocar os bolinhos diretamente sobre folhas de verduras (alface, mostarda, taioba, etc.).

Ovos: Passar no azeite de oliva uma cebola picadinha, com uma pitada de sal, apenas para murchar. Quebrar ali alguns ovos, acrescentar mais um fio de azeite. Deixar fritar um pouco. Os ovos ficam com as gemas ligeiramente moles. Decorar com hortelã picadinha, cheiro-verde e orégano, a gosto. Colocar os ovos sobre um creme de mandioca cozida, amassada e passada ligeiramente no azeite de oliva com cebola picadinha. Oferendar sobre folhas de bananeira.

TRONO

Trono Feminino do Conhecimento

Linha

Conhecimento

Fator

Concentrador (fator puro) e Expansor (fator misto)

Atributo

Atua no Raciocínio e dá concentração

Sentido

Conhecimento

Essência

Terra.

Elemento

Terra e Vegetal

Polariza com

Oxóssi

Cor

Magenta (a cor que dá estabilidade, firmeza e razão); também o verde junto com o marrom e o vermelho junto com o branco.

Ervas

As raízes em geral (porque nascem e vivem na terra, nos domínios da Mãe Obá); babosa, alecrim, manjericão, hortelã, dandá da costa (ou tiririca), aspargo, urtiga, folhas de abacaxi, salsa, imburana, folhas da abóbora, salsaparrilha, espada de Santa Rita, alho, golfo de flor (de qualquer cor), candeia, nega-mina, folha de amendoeira, alfavaca (obs.: a alfavaca é um tipo de manjericão), peregum roxo.

Símbolos

espada (idà), escudo e coroa de cobre e um ofá (arco e flecha).

Ponto na Natureza

Beira da Mata

Flores

rosas brancas, flores do campo, amor perfeito, rosas e palmas vermelhas

Pedras

Calcedônia, madeira fossilizada, turmalina verde, jaspe madeira. Dia indicado para a consagração: 2ª-feira- Hora indicada: 22 horas

Metais e Minérios

Cobre. Hematita. Dia indicado para a consagração: sábado- Hora indicada para a consagração: 15 horas

Saúde

o cérebro inferior, o olho esquerdo, os ouvidos, o nariz e o sistema nervoso.

Planeta

Urano

Dia da Semana

Quarta Feira

Chacra

Frontal

Saudação

“Salve a Divina Mãe Obá!” – Resposta: “Akirô Obá-Yê!”;

Obá XÍ! ou Obá Xirê!.

Bebida

vinho tinto licoroso; água com hortelã macerada e adoçada com mel ou com açúcar; água de coco; sumo de hortelã, alecrim e manjericão; água mineral

Comidas

coco verde, romã, abacaxi, moranga, manga, ameixa preta, tangerina, maçã, amendoim, mandioca, cenoura.

Números

7 e seus múltiplos

Data Comemorativa

dia 30 de Maio

Sincretismo

Na Umbanda, Mãe Obá é celebrada no dia 30 de maio, sincretizada com Santa Joana D’Arc. No Candomblé, é sincretizada também com Santa Catarina.

Qualidades

Obá Gideo

2) Obá Rewá

OYÁ TEMPO ou LOGUNAM

 

Oyá-Tempo é a Orixá que está assentada negativo (cósmico) do Trono da Fé.

Junto com Oxalá, dá a sustentação a todas as manifestações da Fé e  amparo a todos os “sacerdotes” virtuosos que estimulam a evolução religiosa dos seres.

O campo preferencial de atuação da Mãe Oyá-Tempo é o religioso, onde Ela atua como ordenadora do caos religioso. Rege a religiosidade nos seres. Absorve a fé em desequilíbrio, para reconduzir os seres ao caminho do equilíbrio.

Ela é o próprio espaço-tempo onde tudo se manifesta. Por isso dizemos que é uma Divindade atemporal, ou seja, é em Si o próprio Tempo, não está sujeita ao Tempo, mas rege o seu sincronismo.

Nossa relação ou noção de espaço-tempo depende da movimentação dos astros no espaço, e daí vêm os conceitos de dia e noite, bem como o nosso senso cronológico.

Simbolizada pela espiral do Tempo, manifesta-Se em todos os locais, assim como Oxalá, com o qual faz par, na Linha da Fé.

Sendo um Orixá Cósmico, Ela pune quem se aproveita com más intenções das Qualidades Divinas relacionadas com a Fé e a Religiosidade.

Tempo é ”o vazio cósmico” onde são retidos todos os espíritos que atentam contra os princípios divinos que sustentam a religiosidade na vida dos seres.

A essência cristalina irradiada pelo Divino Trono Essencial da Fé é neutra, quando irradiada. Mas como tudo se polariza em dois tipos de magnetismos, então o pólo positivo e irradiante é Oxalá e o pólo negativo e absorvente é Oyá-Tempo.

Oxalá é o Sol da vida enquanto Oyá é o Tempo, onde tudo se realiza.

Oxalá é a Fé abrasadora enquanto Oyá é o gélido Tempo, onde são desmagnetizados os seres desequilibrados nas coisas da Fé.

Oxalá é o Pai amoroso que fortalece o íntimo dos seres e os conduz ao encontro do Divino Criador enquanto Oyá é o Tempo por onde caminham os seres que estão buscando o Criador.

Oxalá é a Fé de Deus nos Seus filhos enquanto Oyá-Tempo é o rigor divino para com os filhos que Lhe voltaram as costas.

Oxalá é o Orixá da Fé enquanto Oyá é o Orixá do Tempo, pois é o tempo que atua no ser, acelerando sua busca pela Fé ou afastando-o das coisas religiosas, direcionando sua evolução para outros sentidos da Vida.

Oxalá é passivo no seu magnetismo de corrente contínua, cuja irradiação estimuladora da Fé chega a todos o tempo todo enquanto Oyá é ativa no seu magnetismo de corrente alternada, onde uma onda espiralada estimula a religiosidade, enquanto a outra onda esgota a espiritualidade na vida dos seres emocionados, fanatizados ou desequilibrados.

Enquanto Oxalá é irradiante, Oyá é absorvente.

O Trono Feminino da Fé é encontrado em várias culturas, como uma Divindade atemporal e que se mostra como o espaço onde tudo acontece (a abóboda celeste).

  

 

AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OYÁ TEMPO

Os Filhos e as Filhas de Oyá são introspectivos e até um tanto tímidos, pois a natureza forte de sua Mãe Divina exige deles  uma certa “beatitude”, já que, das Mães Divinas, Ela é a mais rigorosa com os seus filhos relapsos.

São Simpáticos, discretos, silenciosos, observadores, amigos e conselheiros, emotivos, mas guardam suas emoções para si ao invés de exterioriza-las, lutadores e muito sinceros.

Podem ser Retraídos, ciumentos, possessivos, evasivos, fugidios, descrentes, desconfiados, não perdoam uma ofensa, mesmo que for inconsciente. São glaciais nos seus envolvimentos emocionais.

Apreciam as coisas religiosas, o estudo, a música suave ou romântica, um pouco de isolamento, conversas construtivas, a companhia de pessoas discretas e de homens e mulheres maduros, reservados e amorosos.

QUANDO FIRMAR PARA OYÁ

Para cortar magias negras

Para afastar eguns

Para “congelar” atuações de magos negros

 

FIRMEZA PARA OYÁ

 

Bambu, cristal Fumê e cabaça com água

  

 

AMANCI

 

Agua de chuva com folhas de eucalipto e pétalas de rosa amarela maceradas e curtidas por 7 dias.

  

 

ALGUMAS DIVINDADES DE OUTRAS CULTURAS QUE TÊM QUALIDADES ASSEMELHADAS:

Na Cultura Celta- a Divindade ARIANRHOD, guardiã da “roda de prata” que circunda as estrelas, símbolo do tempo e do carma. Deusa da reencarnação, que tem como símbolo a própria espiral do tempo;

Na Cultura Hindu- a Divindade TARA, regente do céu e das estrelas, senhora do tempo;

Na Cultura Nórdica- as Divindades DO TEMPO E DO DESTINO chamadas NORNES, que se dividem em URDHR, a avó anciã (passado), VERDANTI, a mãe matrona (presente) e SKULD, a jovem (futuro);

Na Cultura Egípcia- NUT, a Divindade do céu, cujo corpo forma a abóboda celeste e que aparece curvada como um arco sobre a terra. É o próprio céu, o espaço onde tudo acontece.

 

ALGUNS CABOCLOS DE OYÁ-TEMPO:

 

Caboclo Gira Mundo, Caboclo do Tempo, Caboclo (ou Cabocla) Lua, Caboclo Sete Luas (de Oxalá e Oyá-Tempo).

Os Caboclos Velhos também recebem uma regência da Mãe Oyá-Tempo, dentro do Mistério Ancião (atravessaram o Tempo, adquiriram a experiência e o saber, aprimoraram a Fé e a Religiosidade, e atuam nesses campos).

  

 

ALGUNS EXUS E POMBA GIRAS DE OYÁ-TEMPO:

EXUS: Exu Vira Mundo, Exu Gira Mundo, Exu do Tempo, Exu Porteira da Religiosidade, Exu chave da Religiosidade, Exu 7 Chaves da Religiosidade (de Oxalá e Oyá), Exu 7 Chaves da Fé e da Religiosidade (de Oxalá e Oyá), Exu 7 Porteiras da Religiosidade (de Oxalá e Oyá).

 

Os Exus Velhos também recebem uma regência de Oyá-Tempo, da mesma forma que os Caboclos Velhos.

E esses nomes ou denominações de Exus também podem ser aplicados às Pomba Giras de Oyá-Tempo: Pomba Gira do Tempo, Pomba Gira Chave da Religiosidade etc..

A Senhora Pomba Gira Maria Padilha é regida pelo Mistério do Tempo e atua sobre os desequilíbrios no campo da Fé e da Religiosidade, cortando as ilusões.

  

 

LINHA DE TRABALHO QUE DÁ SUSTENTAÇÃO

 

Linha dos Ciganos e Boiadeiros

  

 

TRONO

Trono Feminino da Fé

Linha

Fator

Condutor, Desmagnetizador, Descristalizador

Essência

Cristalina

Polariza com

Oxalá

Cor

Fumê, prateado, preto e branco, azul escuro

Aqui, a cor branca simboliza a presença de todas as cores; e a cor preta simboliza a ausência de todas as cores e representa o aspecto de absorção e esgotamento da religiosidade desvirtuada e dos excessos cometidos em nome da Fé. 

Fio de Contas

Contas e Missangas de suas cores

Ferramentas 

Ampulheta,  Bambu

Ervas

Eucalipto, Alecrim, Anis

Simbolos

Aspiral

Ponto na Natureza

Campo Aberto ao Tempo

Flores

flores do campo, rosas amarelas, palmas amarelas 

Essências

Eucalipto, Alecrim

Pedras

Quartzo Fumê e Cristais com incrustações 

Metais e Minérios

Estanho. Dia indicado para consagração: 3ª feira. Horário: 13 horas 

Saúde

cérebro superior e olho direito 

Planeta

Cosmos

Dia da Semana

todos os dias da semana. Horário: 21 horas 

Chacra

Coronário

Saudação

Olha  o Tempo Minha Mãe!

Bebida

licor de anis, água mineral e água de chuva. 

Animais

Coruja

Comidas

canjica enfeitada com coco ralado ou tirinhas de coco; acaçás de leite ou acaçás de milho branco. 

Números

10

Data Comemorativa

11 de Agosto

Sincretismo

Santa Clara

Mãe Egunitá

egunita

 Durante todo o Mês de Maio temos prestado nossa homenagem a Mamãe Egunitá. e quem é a Mãe Egunita?

Abaixo um texto que Descreve essa Divina força Sagrada ainda Pouco conhecida por muitos:

 

Mãe Egunitá é a Divindade Cósmica assentada no pólo negativo (absorvedor) do Trono da Justiça Divina.

Na Umbanda, Egunitá é cultuada como o Orixá Cósmico que consome os vícios e desequilíbrios e faz a purificação dos templos religiosos, do íntimo dos seres e das suas moradas. Ela atua para nos defender das magias negativas e das injustiças, mas sempre a partir de uma autopurificação, para então nos renovar. Isto é, primeiro Ela faz uma purificação em nós mesmos, para nos renovar: purificação de conceitos e idéias antigas aos quais nos apegamos e que nos prejudicam; purificação dos nossos vícios de comportamento etc.

  

Mãe Egunitá nos traz uma face que faltava no estudo dos Orixás, como Divindade do Fogo Purificador e Renovador. Antes das informações trazidas por Pai Benedito de Aruanda, através da psicografia de Rubens Saraceni, não havia na Umbanda um estudo sobre um Orixá que representasse o Fogo da Purificação, o Fogo que destrói os desequilíbrios para trazer a renovação do ser.

Pai Benedito de Aruanda. Pela mediunidade de Rubens Saraceni, Pai Benedito trouxe a informação de que no Astral se conhece uma Divindade Feminina do Fogo cujo nome sagrado não chegou ao nosso meio, mas que podemos chamá-la de Mãe Egunitá. Daí é que vieram o seu nome e o seu culto específico na Umbanda, como a Mãe do Mistério do Fogo.

O Setenário Sagrado – As 7 Linhas da Umbanda

Segue link muito interessante e explicativo a respeito dos Orixás, aconselho que esse video seja inspirador para ler  o Teogonia de Umbanda, muito bom do autor Rubens Saraceni, segue video.

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